Lifestyle, Moda

Por que ter um blog?

“Já tem tantos”, “todo mundo tem um, hoje em dia”, foram só algumas das coisas que ouvi quando decidi lançar um blog! Sim, este mesmo que você está lendo! Confesso que tinha até vergonha de usar as palavras “blog” e “blogueira” para assessores de imprensa e outros jornalistas.

Que preconceito meu, né? Sim, era puro preconceito. Quando eu pensava em blog, logo vinha à minha cabeça “look do dia” (ou loka do dia), #publipost sem sentido (de absorvente, lâminas depiladoras e até amaciante, sim, já vi – e escrevi – de tudo nesse mundo).

Close up of businesswoman's legs wearing highheels

Ser blogueira ou não ser? Eis a questão!

Comecei minha carreira como jornalista na Editora Abril, ainda estagiária, era um sonho. Aquela empresa foi fundamental na minha infância, para se ter uma ideia: os gibis da turma da Mônica foram da Abril por muito tempo, antes de a Globo comprar. Aquela empresa representava também minha adolescência: a primeira coisa que eu fazia quando recebia a mesada era comprar uma Capricho na banca perto do colégio.

Na minha primeira festa de fim de ano na Abril uma enorme surpresa: “Vão os vjs da MTV”, oi? A MTV marcou uma das melhores épocas da minha vida! Aquelas vinhetas malucas, o verão MTV, aqueles acústicos, o Disk, a Sabrina, o Gastão, a Didi Wagner, o Cazé, o Edgard (que era o galã), a Marina Person… Eu adorava aquela emissora, era o único canal que conseguia se comunicar com os jovens dos anos 2000.

Quem lembra do disk?

Quem lembra do disk?

Depois, mais velha, veio a Elle, a Estilo e minha paixão por moda e beleza. Tive também uma fase “preciso emagrecer urgente” com a Boa Forma também – quem nunca?

Mas essa Abril já não existia mais, nos últimos meses. A Capricho finalmente fechou (depois de tantos boatos), a MTV que fim levou? Nem sei. As revistas estão mais finas, com menos editoriais, para falar a verdade, ando lendo pouco no impresso! Com o acesso às revistas de fora (e seus preços ótimos on-line) só leio agora no iPad.

Claro que as revistas ainda têm enorme força: Glamour, Cosmopolitan, Vogue, Elle, Estilo… Mas depois de 5 anos trabalhando na Editora Abril, percebi que não adianta lutar contra a maré: o impresso perdeu espaço e a vez é da internet! As bancas de jornais (tão importantes antes) estão sumindo aos poucos, que nem aconteceu com as lojas de Cds e com as locadoras. Aquela banca de jornal que eu comprava a Capricho nem existe mais!

Mas por que o preconceito com os blogs, então? A resposta é simples: muitos blogs são ruins mesmo! É só navegar pela Blogueira Shame e rir muito com tantos exemplos cômicos. Eu já fiz ghost writting para algumas blogueiras que nunca escreveram nada nessa vida e tenho cada história inacreditável.

Mesmo assim, resolvi estudar esse nova plataforma e possibilidade como algo realmente sério e deparei-me (com a orientação da professora de Jornalismo de Moda Astrid Façanha) com um livro que mudou meu modo de pensar sobre os blogs definitivamente! Estou falando do Newsonomics, do Ken Doctor. Ele ilustra uma série de boas ideias e ótimos blogs (de fora do Brasil porque o livro é americano) de uma forma tão surpreendente que meu preconceito sumiu!

Cheguei a seguinte conclusão: o problema não são os blogs, mas as blogueiras! O wordpress não tem culpa de muitos textos rasos que colocam nele. É que nem condenar os papéis pelos péssimos livros que existem no mercado (e não são poucos)! Os papéis nascem em branco, quem os preenche são os autores. E tem autores bons e ruins!

"Hoje todo mundo tem um blog", mas quantos são realmente bons?

“Hoje todo mundo tem um blog”, mas quantos são realmente bons?

E sabe o que vi também? Que tem muitos blogs bons, sérios e que respeitam as regras do jornalismo (e da gramática, amém!). Vi alguns excelentes blogs no Newsonomics até do ramo imobiliários, mas acho que nem é necessário ir tão longe, tem coisas boas por aqui também.

E é nisso que estou apostando, em um trabalho jornalístico diferente, sério e acessível. Eu quero continuar meu trabalho onde acredito que é o futuro do jornalismo, já que as revistas não satisfazem mais seus leitores (as vendas estão em franca queda).

E sabe do que mais? Essa plataforma tão condenada permite juntar vídeo, música, linkar tantas coisas, tem muito mais a ver com o meu estilo de vida atual (sou daquelas que têm mil janelas abertas ao mesmo tempo) e é muito mais democrática! Você pode ler algo que um grande veículo nunca publicaria por pura arbitrariedade, por exemplo.

Espero que dê certo e conto com o feedback de vocês, aliás, outra vantagem do mundo virtual: a resposta do leitor
é imediata, não precisa esperar as cartas dos leitores de uma matéria do mês passado… So last season!

Fotos: Getty Images/ Reprodução (MTV)

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  1.   10/07/2015 - 11h20

    O bom da internet é justamente essa variedade de conteúdo no qual podemos filtrar o que é bom ou ruim. =)

    •   17/07/2015 - 13h59

      Concordo, aqui nós somos os próprios editores das informações que queremos receber!

2 comentários