Moda

Genderless, Ungendered, Unissex e a nova linha da Zara

A moda (ou seria a imprensa de moda?) tem dessas. De uma hora para outra inventa um novo termo – quase sempre em inglês – para algo que já é conhecido e já existe em português. Sem problemas, eu também vivo fazendo isso. Genderless ou ungendered (sem gênero) é o novo nome de unissex no meio fashion.

Mas o termo não foi renovado à toa ou só para parecer a última tendência nas manchetes de revistas, existe mesmo uma novíssima onda de homens e mulheres dividindo o mesmo guarda-roupa, mas mais do que isso: questionando padrões masculinos e femininos nas ruas.

É claro que os looks andróginos não são uma novidade, já apareceram e muito nos desfiles. Mas o genderless no dia a dia de gente que não necessariamente é da moda, é. Jaden Smith, o filho do ator e cantor Will Smith, por exemplo, tem questionado o uso de saias só pelas mulheres nas redes sociais depois de ter sido fotografado com a peça. Em pouco tempo, a Louis Vuitton o convidou para estrelar uma campanha feminina da marca.

Campanha da Louis Vuitton com Jaden Smith (no canto à direita)

Campanha da Louis Vuitton com Jaden Smith (no canto à direita)

E quem não lembra de um outro exemplo bem mais próximo? Alguns alunos de escolas e faculdades brasileiras têm se manifestado para os meninos terem o direito de usar saia dentro da sala de aula, tanto quanto as meninas. Já li várias matérias sobre isso, até mesmo no colégio que eu estudei teve um caso famoso.

Mas como os estilistas podem absorver (ou seria antecipar?) essas novas percepções e desejos de uma parte da sociedade? A Zara, uma das maiores e mais bem-sucedidas redes de fast-fashion do mundo, resolveu lançar uma coleção ungendered – à venda no site – e deu o que falar porque a linha poderia muito bem chamar boring ou normcore com tanta falta de cor (tudo é cinza, branco ou preto) e  modelagens básicas. Não é culpa da marca espanhola, é difícil mesmo pegar um tendência nichada e transformar isso em moda de massa vendável no mundo todo.

Particularmente, não gosto de usar roupas masculinas. Não pelas cores ou estilo, mas por causa da modelagem, que é sempre reta e grande, claro, respeitando o corpo dos homens – mais altos e mais largos nos ombros. Nós mulheres somos mais baixas e temos curvas: quadris largos, seios e cintura. Sempre acho que a ideia unissex ou boyfriend funciona mais nas modelos (que são magérrimas e retas) do que nas mulheres reais. Já é difícil eu gostar de uma peça feminina em mim, imagina uma peça pensada para alguém com um corpo totalmente diferente! Do outro lado, os homens têm que buscar números de manequins maiores por causa das pernas mais grossas e ombros que perigam não caber em nenhum blusinha do outro sexo. Mas as saias e vestidos larguinhos têm mais chances de dar certo, assim como as bolsas, pulseiras, colares e outros acessórios.

O que funciona para todo mundo, então? Sem pesquisar muito, dá para chutar: casacos grandes, camisas GG e t-shirts retas. A Zara apostou justamente nisso, nas roupas de modelagens grandes (que cabem em todo mundo), como moletons, bermudões, jeans retos, bonés, tênis e blusas largas. Mais previsível, impossível. Nos homens ficou tudo justo (skinny, slim ou fit) e larguinho nas mulheres. Eu gosto da Zara, mas não da coleção. Acho que é para um outro nicho, os fãs do normcore, que não querem usar nenhum elemento fashion, só o básico, tudo bem normal. Genderless não pode ter estampa ou cor desde quando? Não entendi.

Enquanto isso, os que contestam o que é roupa de homem ou de mulher continuam sem uma coleção realmente genderless ou ungendered. Cadê as saias para homens? E bolsas? Parece que o genderless ainda não chegou à massa realmente e só faz barulho nas passarelas. Quem será o primeiro estilista a atingir esses novíssimos consumidores? Será que a moda vende o suficiente para se sustentar? Cenas do próximo capítulo fashion. Enquanto isso, veja os looks da coleção ungendered da Zara.

 

 

Gostaram da coleção da Zara? Se você discordou de mim e amou, então, compre no seite da marca as peças ou espere até chegar ao Brasil, será que vem?

 

 

 

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