Entrevistas

Ela odeia o pretinho básico

Talvez você nunca tenha ouvido falar na estilista Agatha Ruiz de la Prada. Talvez até ache que o nome é familiar, mas não sabe bem de onde conhece. Natural, definitivamente essa experiente designer não alcançou nem uma pequena parte do sucesso que ela conseguiu nos países Ibéricos e na América espanhola.

agatha-002baja

Agatha nasceu em Madri (no ano de 1960), mas estudou moda em Barcelona. Trabalhou um tempo com o estilista Pepe Rubio e, logo, engatou sua marca-própia, que não só carrega seu nome mas toda a irreverência do seu lifestyle. A marca hoje tem diversos produtos licenciados de papelaria, casa, beleza (talvez você se lembre dos frascos de perfumes ou dos lipbalms), além de roupas infantis, masculinas, e claro, a linha feminina. Tudo é super pop, colorido, estampado e até inusitado, às vezes.

Ela esteve, este mês, pela primeira vez no Brasil para inaugurar a exposição Agatha vs Agatha, que ficará em cartaz na Faap reunindo 35 trajes da estilista. Em sua passagem, eu tive a oportunidade de conversar rapidamente com a estilista. Sobre não ser tão conhecida por aqui, ela refletiu: “acredito que é a barreira da língua”, mas logo ponderou que faz sucesso em Portugal e até apresentou uma assistente portuguesa que a acompanhava.

agatha-004baja

Enquanto ela falava eu só tinha olhos para uma tiara dourada (com um formato de ovo) que Agatha usava. Ela é extremamente simpática, direta e falante. Respondeu todas as perguntas sem rodeios e não demorou muito para lançar a frase que todos esperavam: “eu odeio roupa preta, me lembra a morte e o povo da moda adora!”.

Ela contou que é um trauma que vem do seu país e citou o herdeiro da magazine espanhola El corte Inglês, que depois que a mulher morreu só usou preto por mais de 20 anos!

Se ela exagerou, não sei. Mas fiquei pensando em uma aula de história da moda com o prof. João Braga, que já explicou algumas vezes que o luto na religião católica sempre foi violeta, e que a corte espanhola que introduziu o negro nas roupas como cor oficial da morte no Ocidente. Mais precisamente no Renascimento, quando a Espanha estava muito bem e tinha voltado a ser católica (pós-expulsão dos mouros). Foi aí que veio o Rei Felipe, que já gostava da cor preta, e após ficar viúvo passou a vida usando essa cor, o que influenciou as futuras gerações até hoje. Eu sou de família italiana e minha mãe já me contou algumas vezes que algumas tias também fizeram uso do preto por anos após ficarem viúvas.

Coincidência ou não, a América Latina é muito colorida e a própria Espanha tem outra grife com esse DNA divertido e cheio de estampas, a Desigual. Será um trauma? Um inconsciente coletivo e que a psicologia explica? Não sei. Mas faz sentido, né?

Confira um ping-pong com Agatha:

Qual é sua cor favorita?
O fúcsia e o amarelo. Adoro essas duas cores em tons alegres.

Sua casa é colorida assim como suas roupas e suas criações?
Sim, vocês têm que ver, ela é toda colorida e irreverente!

Qual é o seu símbolo favorito?
Gosto das flores e do coração, o coração é minha marca.

Por que você veio só agora para o Brasil?
Eu sempre tive o Brasil na cabeça, mas foquei muito em outros países da América latina, como o México, a Venezuela e etc. Mas acredito que vou voltar!

No fim do encontro, ela convidou a todos para visitarem a exposição na FAAP (mais de uma vez) e tirou diversas fotos com flores coloridas. Muito simpática, ela não parou de falar um só minuto e mostrou-se interessada no mundo on-line “quantos blogs tem no Brasil?”, “Vocês criaram hashtags para o evento?” e etc.

Definitivamente uma mulher interessante, fora do que a gente costuma ver na moda e sem medo de ser espontânea e pop, em um meio que julga tudo e todos, ela não quer ser chique, quer ser divertida e única.

Compartilhe
0 Comente aqui
Comente pelo facebook
* Preenchimento obrigatório. Seu email não será divulgado.
Quer que sua foto apareça nos comentários? Clique aqui

Escreva seu comentário