Moda

Crítica de moda: por que as revistas não fazem?

Por que não existem críticas nas revistas femininas e/ou de moda?

Por que não existem críticas nas revistas femininas e/ou de moda?

Você já leu em alguma revista feminina de grande circulação algo como “não compre esse produto, testamos e ele não é legal” ou “não faça essa dieta, você vai engordar tudo de novo depois”?

Lendo uma revista feminina, a impressão que tenho é de que tudo funciona para todas as mulheres, que o novo detox é ótimo, que os cremes contra celulite são milagrosos (eles fazem alguma diferença?), os perfumes são  delicados ou intensos… No máximo ousados. Nunca são “fortes demais ou lembram aquela colônia de rosas horrível”. Já lançaram algo ruim no mundo da moda ou da beleza?

E os desfiles? Nenhum estilista erra, só coleção linda temporada atrás de temporada. Quem estampa as revistas é sempre um “exemplo de estilo”, it girls, atrizes, todas são ótimas! Simpáticas, talentosas e magras de ruim “comem de tudo”…

Será que o jornalismo feminino e/ou de moda não tem espaço para críticas? Sim, claro, sei que as revistas femininas não podem ficar mal com as famosas e que sobrevivem com o dinheiro da publicidade, uma das primeiras coisas que aprendi na área é que o dinheiro de banca e de assinaturas não dá para cobrir o gasto mensal de uma redação. Mas por que os críticos de cinema, literatura e arte não têm medo de perder seus anúncios? Por que vender uma revista e não transformá-la em um produto tão bom que venda? Nunca entendi isso!

Mas nem sempre foi assim! Por incrível que pareça, em 1919, a revista A Cigarra colocou essa charge carregada de crítica na capa de uma edição de “inverno”.

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Encontrei a capa no Arquivo Público do Estado, aliás, ótima fonte para achar revistas históricas sem sair de casa! Pois é, no começo do século XX, as revistas eram mais corajosas para fazer críticas! E que crítica ácida, nos faz repensar muita coisa, não é mesmo?

Hoje, em uma aula de Jornalismo de Beleza (curso que estou fazendo na FAAP), a professora e jornalista Bel Ascenso mostrou um exemplo ainda mais interessante de 1854! Isso mesmo! Leia este trecho  do Novo Correio das Modas:

“O abuso tão geral e assustador que se faz do espartilho, merece séria atenção dos pais de família, e de todas as pessoas que têm o seu cargo a educação do sexo encantador. O costume que tem os Chins de comprimirem os pés e artelhos das senhoras, a ponto de não poderem andar, é nada em comparação dos terríveis efeitos que, entre as nações cultas, produz o abuso do espartilho.”

Sinto falta desse tom mais crítico na moda e na beleza! Afinal, não importa o assunto, o jornalista (e as blogueiras) têm uma função social importante. Já pensou que falar que aquele creme contra gordura localizada é ótimo pode fazer uma leitora pegar seu pouco dinheiro e investir nele à toa? Ou, ainda, aquelas dietas malucas de detox podem influenciar muitas adolescentes inseguras de maneira negativa com a própria imagem (e saúde)!

Por que não uma boa matéria sobre de onde vem as roupas que consumimos e quem trabalha com ela? Afinal, todos sabemos que o trabalho escravo está aí nessa área. Mas isso não interessa, falar mal, criticar não é mais o papel das revistas femininas ou de moda! Uma pena! Quem perde é a leitora e a própria indústria de moda do país, que têm muito a crescer!

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  1. MARIA ANGELA TAVARES FIALHO
      17/09/2015 - 10h41

    Adorei este post! E dizem que a internet não tem coisa boa. ganhei o mês inteiro com essa publicação e uma crítica que acabei de ler muito bem escrita que se chama: Crítica sobre a comunicação e novo sistemade moda. beijos.

2 comentários